Remetente: Caio Ricardo Data: 15/08/2007
Eder Silva
Você deve saber q na igreja católica existem varias comunidades: RRCC,CAMINHO(NEOCATUMENATO),CURSILIO ETC... E deve saber também que elas tem muita rivalidades entre si.Exemplo: o caminho fala que a renovação, são pessoas que não tiveram coragem de virar evangelicos(protestante) e a RRCC fala que eles são muito triste e fechados, que se fosse uma coisa boa,seria mais aberto as pessoas.
Mas como somos da mesma doutrina deveriamos um apoiar o outro,afinal todos tem o mesmo objetivo, não é verdade? Complementando, o maior erro da nossa igreja é esse!Pois é isso que faz a doutrina católica perder muito de seus "fieis".As pessoas ficam perdidas sem saber o que seguir. O ser humano(leigos,servos,sacerdotes,etc...)se acomodou em seus conhecimentos( que é limitado, por que usamos 10% de nosso cerebro).Ir na igreja é mecânico,rezar é mecânico e tudo isso acontece porque não sabem distingüir algumas coisas.
O QUE É IGREJA PARA VOCÊ? E QUEM É JESUS PARA VOCÊ? VOCÊ CONHECE JESUS OU CONHECE A IGREJA? VOVÊ ACHA QUE AS PESSOAS QUE SAIRAM DA IGREJA CATÓLICA, CONHECERAM JESUS OU CONHECERAM A IGREJA?
RESPOSTA
Prezado Caio, Salve Maria.
Logo de início, você pressupõe em sua carta que eu saiba da existência de certas “comunidades” (RCC, Neocatecumenato...) e de suas rivalidades. O que sei de fato, e isso se prova facilmente, é que atualmente existem movimentos heréticos que se infiltraram dentro da Igreja, não como comunidades, mas como lobos devoradores de almas que se aproveitaram da fenda causada pelo Concílio Vaticano II, e pela qual, segundo confessou o próprio Papa Paulo VI, penetrou a fumaça de satanás.
“... Por algum lugar, a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus" (Paulo VI, Discurso em 29 de Junho de 1972).
Os movimentos que você menciona são joios semeados pelo demônio que invadiu o Templo de Deus pelas portas liberais desse Concílio. Apesar das aparentes oposições doutrinais, a RCC e o Neocatecumenato são frutos da mesma árvore diabólica chamada gnose. Para ambos, a fé não passa de uma experiência mística com a divindade que se revelaria nas profundezas do coração de cada fiel. Ora, a Igreja ensina justamente o contrário: Fé é uma adesão da inteligência às verdades reveladas por Deus, e que são confirmadas pela Igreja.
O Neocatecumenato professa a mesma crença protestante da fé como experiência, e não como Virtude intelectual. Veja o que disse Kiko Arguello, fundador desse movimento:
“... a crença em Deus não é uma questão racional, mas um encontro com o espírito no fundo de si mesmo” (Zenit. Artigo "Fé é Encontro" . O negrito é meu).
Para Arguello, assim como para os modernistas condenados pelo Papa São Pio X, a revelação se daria no interior de cada homem por meio de uma experiência com a divindade oculta em si mesmo. Assim como os protestantes e carismáticos, Kiko também crê no irracionalismo místico da fé experimental.
Defendendo essa grave heresia, o Neocatecumenato se opõe ao ensino da Igreja que pune com anátema aqueles que defendem uma fé não racional:
“Se alguém disser que a divina revelação não pode tornar-se crível por manifestações externas, e que por isto os homens não devem ser movidos à fé senão exclusivamente pela interna experiência ou inspiração privada, seja anátema [De Fide, Cân. 3]” (São Pio X, Pascendi Dominici Gregis . O negrito é meu).
Somente este erro gravíssimo basta para lhe responder que o Neocatecumenato não professa, assim como a tal RCC, a doutrina ensinada pela Igreja, e que por isso, revela um objetivo adverso de explícita oposição ao Magistério da Igreja.
Se há algo em comum entre esses movimentos é o ensino de heresias contra a fé.
Para um estudo mais aprofundado sobre o Neocatecumenato recomendo-lhe o artigo "Comentando um Comentário", do professor Orlando Fedeli e, também, sobre a “pseudo-catolicidade” da protestante RCC, recomendo-lhe a carta "Católicos de ontem e hoje (RCC e protestantismo)".
Esse estudo lhe provará, com clareza, que os objetivos desses movimentos divergem, na teoria e na prática, do que a Igreja sempre ensinou. Portanto, caro Caio, não se pode apoiar movimentos que contradigam a doutrina imutável da Igreja.
Prosseguindo em sua carta, você acusa ser o maior erro da Igreja esta suposta desavença entre certos movimentos:
“o maior erro da nossa igreja é esse!Pois é isso que faz a doutrina católica perder muito de seus "fieis".As pessoas ficam perdidas sem saber o que seguir”.
Permita-me corrigi-lo quanto a um grave equívoco, pois não se pode, de forma alguma, atribuir à Igreja os erros de certos movimentos. Crer nesse erro é um grave erro contra a fé. Assim como não se pode atribuir à medicina as falhas de certos médicos, também não se pode imputar à Igreja os pecados de seus membros. A Igreja é unicamente Santa, conforme rezamos no Credo. E sendo Santa, Ela não pode errar e nem ser manchada por nossos pecados pessoais.
Evidentemente que uma condenação pública desses dois movimentos heréticos – como o fez o Papa São Pio X ao condenar o movimento de Sillon – faria um bem enorme para as almas que se contaminaram com essas heresias. Por isso, temos que rezar para que a Virgem Santíssima ajude, como vem ajudando, o Papa Bento XVI a combater os lobos que se infiltraram dentro da Igreja.
Enquanto a condenação não vem, devemos perseverar sempre na oração e no estudo, para melhor combater as heresias e permanecer fiéis ao que a Igreja sempre ensinou como verdade de Fé.
As pessoas que ficam sem saber o que seguir, como você diz, é porque nunca souberam, de fato, a quem devem ouvir. Cristo mandou ouvirmos seus Apóstolos (Lc X, 16) e não movimentos que nunca querem se fixar na verdade.
Não foi à RCC ou ao Neocatecumenato que Cristo entregou as chaves do Reino dos Céus. Foi S. Pedro, e não outro, o único apóstolo a receber essas chaves – símbolo do supremo poder – para governar infalivelmente sua Igreja. Portanto, é o Papa, como Soberano Pontífice, que nos confirma na fé (Lc. XXII, 31-32). É ele a rocha segura que todo católico deve se firmar para jamais ser enganado ou confundido por tantas heresias que germinaram dentro e fora da Igreja.
É claro que a omissão e até adesão ao erro, por parte de muitos sacerdotes e Bispos, contribui para confundir as almas afastando-as da verdade. É o que fazem os padres Marcelo Rossi e Jonas Abib, que pretendendo posar de papas da mídia, difundem o protestantismo-pentecostal.
Quantas almas perdem esses padres que já não ouvem a voz perene de Pedro e seus sucessores?
Quantas almas confundem e perdem os padres, atrevidamente, defensores da condenada teologia da libertação?
Prosseguindo em sua carta, você diz algo que, em parte, é verdadeiro:
“O ser humano (leigos,servos,sacerdotes,etc...) se acomodou em seus conhecimentos...”
Eu disse “em parte”, porque o mal que assola a Igreja não vem somente da acomodação de alguns, mas principalmente da ação planejada dos maus. O Vaticano II, por exemplo, foi bem planejado pelos inimigos de Deus, e veja o estrago que fez.
Temos então dois males: a falta de estudo (ou acomodação), e o estudo para o mal. Desses dois, o segundo é o pior. Mas, o primeiro também não deixa de ser péssimo, pois os que deveriam mais saber (os sacerdotes) quase nada sabem; e quando sabem de algo, são na maioria, erros absorvidos em seminários. O resultado foi esse desconhecimento jamais visto na história da Igreja acerca da doutrina e da Moral católica.
Existe praticamente um descaso, para não dizer desprezo, às verdades imutáveis da Fé. A causa é evidente: a inaceitável pretensão de conciliar a Igreja com o mundo moderno. E foi justamente isso que pretendeu o Concílio Vaticano II em seus documentos pastorais, como bem constatou e afirmou o então Cardeal Ratzinger, hoje, Papa Bento XVI. Buscou-se conciliar, ao invés de condenar. O resultado, como você notou, foi também esse comodismo com sabor de relativismo.
Deixou-se de ensinar e estudar para ecumenicamente dialogar. O bom combate foi substituído pelo desejo quimérico de uma união fraterna entre as religiões. Pela Dignitatis Humanae, documento do Vaticano II, proclamou-se a liberdade maçônica que garantiu às seitas o livre direito de propagar suas heresias.
Confiando no lobo, sacrificaram-se as ovelhas. O resultado: apostasia em massa.
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No fim de sua carta, você me faz perguntas cujas respostas deveriam estar bem claras nas primeiras aulas de Catecismo:
“O QUE É IGREJA PARA VOCÊ? E QUEM É JESUS PARA VOCÊ? VOCÊ CONHECE JESUS OU CONHECE A IGREJA? VOVÊ ACHA QUE AS PESSOAS QUE SAIRAM DA IGREJA CATÓLICA, CONHECERAM JESUS OU CONHECERAM A IGREJA?”.
Jesus, mesmo que ninguém lhe tenha dito, é Deus feito homem. Ele é, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Em sua única pessoa – a segunda da Santíssima Trindade – coexistem duas naturezas: a divina e a humana, o que a Igreja chama de Mistério da Encarnação.
Não existe “um Jesus para mim e outro para você”. Mesmo que toda a humanidade pense que Cristo seja um mero homem, Ele não deixará de ser o Verbo de Deus encarnado no seio da Virgem Maria, por obra do Espírito Santo. Ele é o que é.
Nos Evangelhos, pode-se ler que Cristo interrogou seus Apóstolos com essa mesma pergunta:
“Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" (Mt XVI,13). A resposta revela um estado bem semelhante aos tempos atuais: “Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros, ainda, que é Jeremias ou um dos profetas". (Mt XVI,14)
Quantos, hoje – entre o povo e até entre os sacerdotes –, desconhecem a pessoa de Cristo? Uns dizem ser Ele um mero profeta; outros, um simples homem que revolucionou outros homens de seu tempo. Há ainda aqueles que, chegando a um nível mais baixo, o igualam a Buda e Maomé.
Quem afinal, é Cristo? Ele mesmo, após constatar a ignorância dos homens acerca de sua natureza, voltou-se para os seus (Apóstolos) e perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Como sempre, Pedro tomou a frente e fez uma solene profissão de Fé: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (Mt XVI, 15-16).
Essa é a verdade que todos, sem exceção, devem firmemente professar.
Sua segunda pergunta refere-se à natureza da Igreja. Conforme ensina a Sagrada Escritura e o Magistério, a Igreja é a esposa de Cristo, seu Corpo Místico, do qual Ele a Cabeça, e nós, fiéis, os membros desse Corpo (Ef V, 23; V, 30).
Observe que a Igreja não sou eu nem você, como erroneamente dizem alguns. Nós somos membros do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja.
Para que você compreenda a profunda relação de Cristo com sua Igreja, recomendo-lhe a leitura e estudo da Encíclica Mystici Corporis do Papa Pio XII.
Sua terceira pergunta pode ser facilmente respondida, após esses dois ensinos fundamentais.
Você me perguntou quem eu conheço: Cristo ou a Igreja?
Conheço ambos, pois só conhece o verdadeiro Cristo quem conhece e adere à sua verdadeira Igreja.
Foi Nosso Senhor quem quis ser conhecido por meio de sua Igreja. Por isso, Ele a edificou sobre Pedro como uma sociedade hierárquica e visível, ordenando aos seus apóstolos que ensinassem a todos os povos: “Ide e ensinai a todos” (Mt. XXVIII,19).
São os protestantes que, pretendendo separar Cristo de sua Igreja, a Palavra de Deus do seu Magistério, criam entre si falsos cristos de doutrinas diversas e contraditórias.
Ora, Cristo está unido à sua Igreja assim como a luz está unida ao fogo. Da mesma forma que não se pode separar o fogo de sua luz, é impossível separar Cristo de seu Corpo Místico.
Imagine se eu lhe perguntasse: você conhece o fogo ou sua luz? Sem dúvida, você me responderia que conhece a ambos. O mesmo se dá com Cristo e a Igreja. Quem conhece o fogo, conhece a luz; quem conhece a Igreja Católica e nela crê, conhece o verdadeiro Cristo que é Deus e homem.
Portanto, caro Caio, é a Igreja Católica que revela aos homens o verdadeiro Cristo Redentor, presente em todos os Sacrários da terra. As seitas – filhas de Lutero – oferecem cristos fabricados segundo a conveniência e satisfação de suas paixões.
Quanto à sua última pergunta, uma coisa é absolutamente certa: as pessoas que saíram da Igreja Católica separaram-se de Cristo e da Igreja. Os protestantes, por exemplo, não estão mais unidos a Cristo, pois quem se aparta do Corpo Místico de Cristo (a Igreja), também se aparta da Cabeça desse Corpo, que é o próprio Cristo.
Mas e as pessoas que se afastaram da Igreja Católica? Conheceram Cristo ou sua Igreja?
Existem pessoas que, mesmo estando fisicamente dentro da Igreja, não a conhecem verdadeiramente, tal qual ela sempre foi. E isso ocorre, na maioria dos casos, não por culpa pessoal, mas pela maldade ou omissão de certos sacerdotes que ensinam uma doutrina diversa da que a Igreja sempre ensinou.
Esses maus clérigos acabam por criar, assim como o Vaticano II, uma nova Igreja que para eles seria a verdadeira. É evidente que muitos acabam seduzidos por essas novidades e pensam professar a verdadeira Fé. Considerando esse fato, pode sim, haver pessoas que abandonam Cristo e sua Igreja sem conhecê-los, porque na verdade, nunca os conheceram realmente.
Para elucidar melhor a questão, cito-lhe o exemplo de um conhecido meu.
O rapaz, no auge de sua juventude, foi seduzido, assim como eu, pela famigerada protestante Renovação Carismática. A mãe desse rapaz, também enganada por esse movimento, nem tinha a noção do perigo que o filho corria, quando ela o impulsionou a aderir aos delírios dessa “nova Babel”.
Enfim, eu continuei carismático até conhecer a verdadeira Igreja e sua perene doutrina. Conhecendo-a, abandonei esse delírio pentecostal. Meu conhecido, infelizmente, afastou-se da RCC e, posteriormente, da Igreja, caindo em um ateísmo ridículo.
Ele renegou a Cristo e a Igreja sem verdadeiramente conhecê-los. Ele pensava estar renegando um Cristo e uma Igreja carismática, conforme os delírios da RCC, mas quando, na verdade, se apartava física e espiritualmente do legítimo Cristo e da legítima Igreja Católica Apostólica Romana.
Posso lhe dizer, porque sei, que esse meu conhecido e eu, em nossa vida de carismáticos, fomos qualquer coisa, menos católicos.
Creio que não seja necessário acrescentar mais explicações sobre um assunto que está mais do que claro.
Caso persista alguma dúvida, fique à vontade para nos escrever, pois teremos o prazer de ajudar uma alma, que como tantas, foram privadas das verdades elementares e absolutamente essenciais para a vida de qualquer católico.
Reze por nosso Apostolado, para que possamos, cada vez mais, defender a Santa Igreja dos ataques do mundo moderno.
In Jesu et Mariae, semper Eder Silva
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