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Remetente: Luiz Carlos Santana Teixeira
Data: 18/07/2010
Cidade: Indaiatuba / SP
Idade: 49 anos
Religião: Católica
Escolaridade: Pós-graduação concluída
Profissão: Cirurgião Dentista
Quando li a carta escrita pela Adriana Lopes senti muita tristeza e a certeza de que vivemos dentro da Igreja um tempo de muita provação.
Como ler uma carta como a dela e não lembrar do Professor Orlando?Impossivel.
Primeiro por constatarmos que os lobos travestidos em pele de cordeiro continuam a atacar o rebanho de Cristo, que se encontra abandonado por grande parte de nosso clero.
Segundo, e consequencia do primeiro, vermos cada vez mais católicos que iludidos não veem mais a Fé como uma crença em verdades reveladas por Deus e ensinadas pela Igreja, mas sim uma \"experiencia\" um \"sentimento doce\", intimo, inefável e pessoal com a Divindade.
A Fé seria uma vivência , uma experiencia e não uma crença.
Ensinos da Gnose Romantica, como bem explicava o professor, que negam a revelação como exclusiva da Igreja Católica, explicam os argumentos da leitora.A revelação se daria dentro de cada homem, no \"coração\" de cada um.
Disso vem a difusão de uma piedade sentimental, melosa, efeminada, que não da importancia à Verdade, nem a luta, nem às virtudes.Veja que a leitora só queria uma resposta, sim ou não, a respeito dos artigos do site cristãos.com(hereges) a respeito da inquisição, maledicências que provavelmente ela leu calmamente nesse site de nivel deploravel,ali ela procurou mais que um sim ou não, que não contestou, entre outras coisas, por não conhecer nada sobre o assunto, mas prefere continuar a não conhecer, assim só quer ouvir um sim ou não a respeito das calúnias absurdas ali contidas.Os lobos podem atacar a Igreja como a atacam covardemente no site mas a leitora esta satisfeita de ser \"bem tratada\" por eles , para essa \"católica\" isso basta, já a Igreja é \"outro\" assunto.Lamentavel essa posição de alguem que se declara católica.
Como a leitora , vemos tristimente,muitos católicos,em muitas paróquias, tendo suas almas adocicadas,delas são aos poucos retirados os nervos e a fibra, por meio de canções extremamente sentimentalistas.Ser piedoso é rezar com o pescocinho inclinado, e ter devoção é sentir os olhos umidos nas procissoes dos Santos.
Procura se o \"sentir\" a \"experiencia\", e se elas não são encontradas na Santa Igreja, a saida é procurar em outro lugar.E nisso os hereges, como os do site citado, são muito experientes; enganar e ludibriar é a especialidade dessas seitas que se espalham ao gosto do freguês.
RESPOSTA
Muito prezado Luiz,
Salve Maria!
Você tem toda razão na análise que faz. Essa fé-sentimento, baseada numa experiência particular e inefável, é autodestruidora da religião.
Ora, se a revelação se dá no interior de cada homem, operando nele um contato direto com a divindade, com que direito se dirá que não existem tais experiências, por exemplo, entre os budistas? A Igreja Católica seria mais uma instituição, como tantas outras, na qual Deus se revelaria, proporcionando sentimentos inexplicáveis. Não haveria uma religião única e verdadeira fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo para salvação das almas. A verdade seria pessoal, nunca universal e objetiva. Cada seita seria um instrumento válido na obra da redenção, pois nelas também haveria manifestações do divino.
Admira-nos como o Papa São Pio X condenou com notável precisão esses erros que assolariam terrivelmente os anos posteriores ao seu pontificado, mormente no Concílio Vaticano II. Faço questão de transcrever um trecho da Pascendi Dominici Gregis, documento importantíssimo para este tempo, porque condena o modernismo.
“Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais, que são necessárias para consegui-la. Ora, tal experiência é a que faz própria e verdadeiramente crente a todo aquele que a conseguir. — Quanto vai dessa à doutrina católica! Já vimos essas idéias condenadas pelo Concílio Vaticano I. — Veremos ainda como, com semelhantes teorias, unidos a outros erros já mencionados, se abre caminho para o ateísmo. Cumpre, entretanto, desde já, notar que, posta esta doutrina da experiência unida à outra do simbolismo, toda religião, não excetuada sequer a dos idólatras, deve ser tida por verdadeira. E na verdade, por que não fora possível o se acharem tais experiências em qualquer religião? E não poucos presumem que de fato já se as tenha encontrado. Com que direito, pois, os modernistas negarão a verdade a uma experiência afirmada, por exemplo, por um maometano? Com que direito reivindicarão experiências verdadeiras só para os católicos? E os modernistas de fato não negam, ao contrário, concedem, uns confusa e outros manifestamente, que todas as religiões são verdadeiras. É claro, porém, que eles não poderiam pensar de outro modo”.
Pelo raciocínio esplêndido desse Papa santo, compreende-se claramente que a doutrina do modernismo é a gnose triunfante na Igreja pós conciliar. É por essa doutrina da experiência que se promove o ecumenismo irenista do Vaticano II. Se Deus se manifesta em cada homem pela experiência, deve haver um diálogo, uma troca de experiências, uma permuta de dons que permitiria uma maior aproximação da verdade.
No discurso do ultra modernista Cardeal Kasper, ex-Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, encontra-se, em termos nítidos, a doutrina do modernismo que resulta numa troca de dons e experiências pelo diálogo ecumênico:
“O diálogo é o método próprio do ecumenismo. Não se trata de um simples intercâmbio de pensamentos e de argumentações, mas é uma verdadeira permuta de dons” (Homilia do Cardeal Walter Kasper na Celebração conclusiva da semana de oração pela unidade dos cristãos, Domingo, 25 de Janeiro de 2004).
Portanto, não se trata apenas de uma alma que, imbuída de uma concepção modernista de fé, rompe com a Igreja Católica para seguir uma seita qualquer. Essa pobre moça, que hoje agradece a Deus por ter deixado de ser católica, indica a ruína que o modernismo provocou nas almas católicas, quando, por meio de um Concílio, alojou-se no interior da Igreja. Quantos pensam como essa moça que põe nos sentimentos, e não nas verdades reveladas, a razão de sua fé? Resultado: apostasia em massa. A religião torna-se mero instrumento de experiência. Se não satisfaz, procura-se outra.
Com relação ao site que ela consultou, ele é realmente de baixíssimo nível. Relutamos em polemizar com esses “hereges.com”. Mas, por fim, decidimos escrever algo, a fim de ridicularizá-los.
Agradecemos por sua carta esclarecedora. Sempre que quiser nos ajudar, suas cartas serão muito bem vindas.
Um forte abraço.
In Corde Jesu, semper
Eder Silva
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