Provas da consciência e julgamento das almas após a morte PDF Imprimir E-mail
Cartas - Doutrina

Remetente: Gabriel
Data: 25/05/2010
Cidade: Vitória / ES
Idade: 22 anos
Escolaridade: Superior em andamento
Profissão: Estudante

Em Eclesiastes cap. 9 versículo 5 \"Com efeito, os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem mais nada; para eles não há mais recompensa, porque sua lembrança está esquecida\", tive a impressão de que se ensinava que os mortos não estavam cônscios de nada, aparentemente reforçando a doutrina protestante de que os mortos estão num estado de dormência, até a segunda vinda de Jesus.
Conheço inúmeros trechos que refutam essa ideia. Como por exemplo a parábola do rico e do Lázaro.
Porém, sobre esse determinado trecho de Eclesiastes, não consegui vincular a ideia do juízo imediato.
Se os senhores puderem me ajudar...

att

Gabriel


RESPOSTA

Prezado Gabriel,
Salve Maria!

O juízo logo após a morte é claramente ensinado por São Paulo em sua Epístola aos Hebreus:

"Está decretado que o homem morra uma só vez, e depois disto se siga o juízo" (Hb IX, 27).

Nos Evangelhos, Nosso Senhor também ensinou o juízo particular na parábola do pobre Lázaro e do rico epulão. Nesta parábola o pobre e o rico são julgados imediatamente após a morte. O pobre é levado para o seio de Abraão, e o rico lançado no inferno. E se você atentar para a conversa entre o rico e Abraão – já falecido –, perceberá que o santo patriarca tem plena consciência do que se passa na terra.

No calvário, quando o bom ladrão suplicou a Cristo que se recordasse dele no Reino dos Céus, Jesus lhe respondeu:

"Ainda hoje estarás comigo no Paraíso" (Luc. XXIII, 43).

Ora, se Nosso Senhor garantiu ao bom ladrão arrependido que ele, desde então, gozaria da felicidade eterna, sem que precisasse esperar dormindo até o fim dos tempos, é porque as almas permanecem conscientes após a morte e são imediatamente julgadas, pois só pode ser premiado com o Céu ou castigado com o inferno, quem passou pelo julgamento de Deus.

A doutrina do julgamento particular e da consciência dos mortos sempre foi aceita pelos cristãos. É o que confirmam as inscrições encontradas nas catacumbas dos primeiros séculos:
    
"Ático, dorme em paz seguro de tua salvação e pede solícito por nossos pecados" (Inscrição em lápide, hoje no Museu Capitolino).

"Vicência, pede em Cristo por Febe e por seu esposo" (Catacumba de São Calixto).

"Sabácio, doce alma, pede e roga pelos irmãos e companheiros teus” (Catacumba de São Gordiano).

"Genciano, fiel, em paz, que viveu 21 anos, 8 meses e 16 dias. Que em tuas orações rogues por nós, porque te sabemos em Cristo” ( Lápide encontrada na via Salária).
 
[Todas estas inscrições estão citadas no livro de Lúcio Navarro, Legítima Interpretação da Bíblia, p. 542].

Sobre o trecho do Livro de Eclesiastes, não há nele qualquer menção de que os mortos dormem e que só despertarão no dia do juízo final. O texto fala da impossibilidade do homem realizar atos meritórios após a morte.

Não há motivo para a alma ficar dormindo quando sua salvação já está definida. As almas que durante a vida cresceram no amor e na união com Deus, receberão como prêmio de seu combate um sono prolongado até o fim dos tempos?

Impossível!

E o mesmo se aplica aos maus que, ao invés de receberem a devida punição pelos seus crimes, desfrutariam de um “descanso” que só cessaria ao som da trombeta?

Injusto!

Espero que tenha compreendido. Permanecendo dúvidas, escreva-nos novamente.

In Jesu et Maria, semper
Eder Silva

 
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