Distribuição de pães durante a Missa PDF Imprimir E-mail
Cartas - Outros

Remetente: Afonso Rimoldi
Data: 11/04/2010
Cidade: Laranjal / PR
Idade: 34 anos
Religião: Católica
Escolaridade: Pós-Graduação Concluída
Profissão: Professor

Há tempos vem sendo praticada durante as missas em nossa comunidade a distribuição de pãozinho as crianças que ainda não fizeram a  primeira eucaristia. Como ministro da eucaristia sou totalmente contra e gostaria da colaboração de vocês no sentido de me indicarem documentos da Igreja que me apoiem nessa defesa da Santa Missa.
Reitero, preciso que sejam indicados documentos, origem, data,organismo, enfim... Tudo que possa servir de subsídio numa reunião que será feita em nossa paróquia sobre o assunto.
URGENTE!



RESPOSTA

Prezado professor Afonso,
Salve Maria!

Desculpe não ter lhe respondido com a urgência requerida. Espero que a resposta ainda possa ter algum proveito.

Essa prática de se distribuir pãezinhos durante a Missa é censurada pela Instrução Redemptionis Sacramentum, em seu parágrafo 77:

“A celebração da santa Missa, de nenhum modo, pode ser inserida como parte integrante de uma ceia comum, nem se unir com qualquer tipo de banquete. Não se celebre a Missa, a não ser por grave necessidade, sobre uma mesa de refeição, ou num refeitório, ou num lugar que será utilizado para uma festa, nem em qualquer sala onde hajam alimentos, nem os participantes na Missa se sentem à mesa, durante a celebração. Se, por uma grave necessidade, deva-se celebrar a Missa no mesmo lugar onde depois será a refeição, deve-se mediar um espaço suficiente de tempo entre a conclusão da Missa e o início da refeição, sem que se exibam aos fiéis, durante a celebração da Missa, alimentos ordinários.

O documento é claro: durante a celebração da Missa não é permitido exibir aos fiéis alimentos ordinários. E aqui se inserem os pães entregues às crianças que, conseqüentemente, serão impelidas a crer que a Eucaristia equivale a comer um mero pedaço de pão ou que a Missa, Sacrifício de Nosso Senhor, não passa de uma confraternização.

As crianças devem ser preparadas para receber Cristo na hóstia consagrada. Elas devem distinguir bem o pão consagrado – transubstanciado em Cristo – do simples alimento cotidiano, necessário à subsistência humana.

Se a missa é para comer pãezinhos, por que não comer em casa? Veja que essas inovações arbitrárias são prejudiciais à fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

O documento supracitado pode lhe ser útil no combate a este abuso que você nos relata. Para completar, leia o documento do Papa João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, no qual há excelentes advertências como esta:

“[52] Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos. Uma certa reação contra o « formalismo » levou alguns, especialmente em determinadas regiões, a considerarem não obrigatórias as « formas » escolhidas pela grande tradição litúrgica da Igreja e do seu magistério e a introduzirem inovações não autorizadas e muitas vezes completamente impróprias. Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios” (Os destaques são nossos).

Precisando de mais alguma coisa, não hesite em nos escrever.

In Jesu et Maria, semper
Eder Silva

 
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