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Remetente: Elton Renato Bernardes
Data: 07/09/2008
Cidade: Guararapes / SP
Idade: 25 anos
Escolaridade: Superior em andamento
Profissão: Seminarista
Voces nao estao com o Espirito Santo.
Caríssimos senhores e senhoras do Apostolado Defesa Católica.
Gostaria de saber se vocês já ouviram os papas dizerem mal do Concilio Vaticano II?
Já leram o que diz o papa Bento XVI na carta aos Bispos que vem após o seu Motu Próprio liberando a Missa Tridentina? Observe:
Em primeiro lugar, há o temor de que seja aqui afetada a autoridade do Concílio Vaticano II e que uma das suas decisões essenciais – a reforma litúrgica – seja posta em dúvida. Tal receio não tem fundamento. A este respeito, é preciso antes de mais afirmar que o Missal publicado por Paulo VI, e reeditado em duas sucessivas edições por João Paulo II, obviamente é e permanece a Forma normal – a Forma ordinária – da Liturgia Eucarística.
Como podem dizer que o papa quer acabar com as tais heresias do Vaticano II? Seria muito contraditório não acham?
E isso, observe como o papa aceita o Concilio Vaticano II:
“Por conseguinte, também eu, ao preparar-me para o serviço que é próprio do Sucessor de Pedro, desejo afirmar com vigor a vontade decidida de prosseguir no compromisso de atuação do Concílio Vaticano II, no seguimento dos meus Predecessores e em fiel continuidade com a bimilenária tradição da Igreja.”
Muito engraçado, o papa quer mesmo acabar com o Vaticano II? Acho que não, se o mesmo desejasse isso ele não diria tais coisas.
Vemos claramente que o Papa não deseja acabar e nem condenar o Concilio Vaticano II, sei com plena consciência que o Concilio na tem caráter dogmático e sim pastoral. E por ventura não e infalível. Mas veja por outro lado, foram papas que o aprovaram, desde sua convocação a João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI, nunca vi nenhum papa dizendo mal do mesmo.
Se os papas aprovam por que discordar, se o papa aprova para que ficar criticando de maneira desconstrutiva?
Será que o Vaticano tem conhecimento das ações deste apostolado assim como a associação Montfort? Será que todo o clero que esta em comunhão de maneira licita com Roma sabe disso?
Sim, pois a FSSPX não esta em comunhão licita com Roma, ela e constituída e fundada por pessoas e foram excomungadas da Igreja.
Pensem em tudo isso.
RESPOSTA
Caro Elton, Salve Maria puríssima!
Antes de tudo, é preciso saber que nós, grupos amigos da Montfort (ou mesmo a própria Montfort), diante da luta que o Papa realiza contra o mundo moderno, somos insignificantes. Nós não lutamos pelo triunfo da Montfort ou de nosso grupo de amigos. Nós sempre lutamos pela Santa Igreja e por aquilo que Ela sempre ensinou em sua sacrossanta Tradição duas vezes milenar.
Se o “clero que está em comunhão de maneira licita com Roma” souber disso, que influência terá? O que mudaria a História da Igreja, se um dia o Papa, ocupadíssimo em trazer a Igreja para a doutrina de sempre, saber que a Montfort existe?
Meu caro Elton, saiba que stat Crux, dum volvitur orbis – a Cruz permanece, e o mundo gira. A Igreja é eterna, e somos peregrinos nessa terra. Nossa vida, dirá Santa Teresa, é um instante que me foge... Hoje estamos aqui. E amanhã?
Somos pelo Papa. Pela Missa de Sempre. Pela Virgem Maria. Pela Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, imortal e imperecível. Pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos.
Verbum Domini manet in æternum. A palavra do Senhor permanecerá para sempre.
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E que surpresa saber que o senhor ainda rotula a FSSPX de cismática, dizendo que “não está em comunhão licita com Roma”, sendo “constituída e fundada por pessoas e foram excomungadas da Igreja”!
O senhor leu a carta aos bispos que acompanhava o Motu Proprio Summorum Pontificum. Que bom!
Pena que o senhor não leu o documento da Sagrada Congregação dos Bispos, onde se lê:
Com base nas faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre Bento XVI, em virtude do presente Decreto removo aos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação no dia 1 de Julho de 1988, enquanto declaro desprovido de efeitos jurídicos, a partir da data de hoje, o Decreto então emanado. (Cardeal Re, REMOVIDA A EXCOMUNHÃO A QUATRO BISPOS DA FRATERNIDADE SÃO PIO X, destaques nossos)
Roma locuta, causa finita est.
O senhor, que certamente está em “comunhão licita com Roma”, porque não leu esse decreto da Congregação dos Bispos?
O senhor pergunta:
“Se os papas aprovam por que discordar, se o papa aprova para que ficar criticando de maneira desconstrutiva?”
Por mais que o Vaticano II seja aprovado pelos Papas, isso não é sinônimo de sua ortodoxia.
João XXIII e Paulo VI mostraram que o Vaticano II não seria um concílio dogmático ou doutrinal, como foram os outros anteriores a ele.
Do discurso de João XXIII, na abertura deste Concílio, se lê: “A Igreja sempre se opôs a estes erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. Julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações.” (João XXIII, Discurso de abertura do Concílio Vaticano II, destaques nossos)
Paulo VI: "A Igreja do Concílio [Vaticano II] ocupou-se bastante do homem, do homem tal qual ele se apresenta em nosa época, o homem vivo, o homem todo ocupado consigo mesmo, o homem que se faz não só o centro de tudo o que o interessa, mas que ousa ser o princípio e a razão última de toda a realidade... O humanismo laico e profano apareceu, enfim, em sua terrível estatura e, em certo sentido, desafiou o Concílio. A religião de Deus que se fez homem encontrou-se com a religião do homem que se fez Deus.
Que aconteceu? Um choque, uma luta, um anátema? Isto poderia acontecer; mas isto não aconteceu.
A antiga história do Samaritano foi o modelo da espiritualidade do Concílio. Uma simaptia imensa o investiu inteiramente. A descoberta das necessidades humanas... absorveu a atenção deste Sínodo. Reconhecei-lhe pelo menos este mérito, ó vós humanistas modernos, que renunciais à transcendência das coisas supremas, e saibais reconhecer o nosso novo humanismo: nós também, Nós mais do que qualquer outro, nós temos o culto do homem" (Paulo VI, Discurso de encerramento do Concílio Vaticano II, 7 de Dezembro de 1965. Destaques nossos).
João Paulo II: Ao Concílio, o Papa João XXIII tinha confiado como tarefa principal guardar e apresentar melhor o precioso depósito da doutrina cristã, para o tornar mais acessível aos fiéis de Cristo e a todos os homens de boa vontade. Portanto, o Concílio não devia, em primeiro lugar, condenar os erros da época, mas sobretudo empenhar-se por mostrar serenamente a força e a beleza da doutrina da fé. (http://www.giovannipaolo.it/Costituzioni_apostoliche/documents/hf_jp-ii_apc_19921011_fidei-depositum_po.html, destaques nossos)
Ou seja, o Vaticano II se absteve de condenar as maiores heresias do século XX: o marxismo e o comunismo, que tiranizou (e até hoje tiranizam) inocentes no mundo. Pol Pot, Fidel, Ho Chi Min, Mao Tse Tung e tantos outros tiranos que ceifaram vidas por uma ideologia assassina e diabólica.
Hoje é público o acordo consumado pelo Cardeal Tisserant, em nome de João XXIII, para a não condenação do comunismo, em troca – pasme! – da presença de bispos heterodoxos (ou “ortodoxos”) cismáticos no Vaticano II. Tudo em nome do ecumenismo. Em nome da tolerância religiosa. Enquanto “ecumenicamente” católicos eram massacrados, igrejas destruídas e relíqueas sagradas eram profanadas, ou “tolerantemente” pessoas eram sumariamente assassinadas no paredón castrista.
Como apoiar um Concílio que negou condenar o Comunismo?
Também o IBP, por vontade de Bento XVI, foi fundado para promover a Missa Tridentina e uma crítica “construtiva” ao Vaticano II. Será que Bento XVI cairia no seu anátema?
Pois está lá no título do seu e-mail:
“Voces nao estao com o Espirito Santo.”
Se nós não estamos com Espírito Santo por condenar e rejeitar o Vaticano II, muito menos está o Papa, por permitir que haja discussões sobre esse concílio pastoral.
Se o Papa não tem o Espírito Santo por permitir discussão ao pastoral e modernista Concílio Vaticano II, significa dizer que Bento XVI não é guiado pelo Divino Paráclito; então Nosso Senhor mentiu, ao dizer que estaria com os Apóstolos até o fim dos tempos.
E quem acusa Cristo de mentiroso, não pode estar com o Espírito Santo.
"Faço-vos saber que ninguém que fala pelo Espírito de Deus, diz anátema a Jesus" (I Cor. XII,3).
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Que a Virgem Gloriosa alumie a sua alma, fazendo ver a Verdade.
Othon S. Campos |