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Remetente: Renan Martins Gabriel
Data: 24/07/2008
Cidade: Capivari / SP
Idade: 25 anos
Religião: Católica
Escolaridade: Superior incompleto
Profissão: Tecnologia da Informação
Lamentável!!!
Seu texto falando sobre o Rock católico,expressa apenas as verdades de sua opinião preconceituosa e sem embasamento no sentido Real da fé!!
O que vc me diz de pessoas que depois de um show de white metal,largam as drogas,o álccol,as paixões do mundo e se entregam de corpo e alma a DEUS?
Que experiências vc tem sobre o que é Rock,e como vc desmerece o genero que mais traz pessoas para a igreja,hoje a base da igreja é a Renovação carismática católica,e através dela,com a força do Espirito Santo deu um novo ardor a essa igreja como queria o querido Papa João XXIII?
E que através disso os jovens puderam sentir o verdadeiro amor de deus,quebrando o marasmo das missas,e trazendo pra igreja uma nova fase,onde o jovem se encontra com DEUS e conhece o seu amor profundamente!!!
Muitos desses jovens,e eu sou um deles depois de um show se entregou verdadeiramente a DEUS e seguiu os preceitos que ele colocou!!Quantos que depois de um show passaram a entender o real sentido da missa,passaram a amar a eucaristia e acima de tudo viver uma vida professando que "JESUS É O SENHOR!!"
Pra encerrar peço que você leia a ENCICLICA AOS JOVENS que o PAPA JOÃO PAULO II,ESCREVEU: "queremos jovens de calças jeans....e por ai vai!!!
Um abraço irmão vê se reflete melhor e antes de escrever vivencie,experimente e acima de tudo relate fielmente o que você viveu,porque nada se compara o romantismo ao Rock,comparações que você fez e que não tem o menor sentido um genero literário com um genero musical!!!
RESPOSTA
Prezado Renan,
Salve Maria.
Você lê meu texto contra o rock e simplesmente o qualifica como “verdades de minha opinião preconceituosa e sem embasamento no sentido real da fé”.
Para os roqueiros rebeldes pouco importa o ensino de um Papa ou de qualquer autoridade da Igreja, mesmo que, embasada nos princípios reais da fé, censure um dos gêneros musicais que mais perde almas, afastando-as do sentido real da fé.
Sua mísera carta, reveladora de sua ignorância musical e do real sentido de fé, me faz ter pena de você. Pobre Renan que bebe veneno de olhos fechados.
Em minhas cartas contra o rock não faço questão de mencionar minhas experiências com esse ruído diabólico. Não é minha experiência pessoal que me autoriza a condenar o rock. Segundo sua lógica, só seria possível conhecer o mal da cocaína quem a experimentasse.
Um médico analisa a substância da droga, para saber se ela é prejudicial à saúde, sem precisar experimentá-la. Analisei os fundamentos do rock para compreender que ele é em si mesmo anti-cristão, ainda que tenha uma letra católica, mesmo sem ‘experimentá-lo’.
E você me garante que depois de um show de white metal, pessoas largaram as drogas e as paixões do mundo para entregar-se de corpo e alma a Deus.
Essa sua opinião não tem base na realidade e muito menos no sentido real de conversão.
Converter-se é mudar totalmente de vida, sacrificando os ídolos e as paixões, para servir somente a Deus.
Ora, conforme o ensino do Cardeal Ratzinger, hoje o Papa Bento XVI, o rock é expressão de paixões elementares que em grandes platéias pode assumir características de um culto anti-cristão. E de acordo com um especialista em música, Dr. Knieste, o rock é uma droga mais mortal do que a heroína.
O rock é então:
a) uma paixão do mundo moderno, contrária ao culto cristão;
b) uma droga pior que a heroína.
Considerando essas verdades que têm embasamento real em estudos científicos, os jovens roqueiros não se converteram no sentido real da fé. Eles apenas optaram por uma nova paixão e por uma droga que é bem pior que a heroína.
Esses jovens se entregaram de corpo e alma ao rock. Lotam as Igrejas para curtir um gênero musical e não para servir e amar a Deus sobre todas as coisas.
Você me diz que hoje a base da Igreja é a Renovação Carismática e que, através dela, o Espírito Santo deu “um novo ardor à Igreja como queria o Papa João XXIII”.
Qual o fundamento dessa afirmação? Nenhum!
A realidade prova que seu testemunho de roqueiro não tem valor real diante da crise atual que revela os frutos podres do rock e da Renovação Carismática.
Com o Vaticano II, fonte de todos os males que hoje assolam a Igreja, inclusive do rock e da RCC, esperava-se uma nova primavera ensolarada para a Igreja.
A primavera não veio.
Ao invés do tão aguardado sol primaveril, veio a fumaça de Satanás que invadiu o Templo de Deus.
"Nós pensávamos que o amanhã do Concílio seria um dia ensolarado para a Igreja. Porém, encontramos novas tempestades". Essa afirmação não é uma opinião preconceituosa minha. São palavras do Papa Paulo VI, o qual ao constatar os frutos do Vaticano II, o que inclui a RCC, declarou que:
“Por alguma fissura, a fumaça de Satanás está no templo de Deus: a dúvida, a incerteza, o questionamento, a preocupação, a insatisfação, o afrontamento surgiram. (...) Nós pensávamos que o amanhã do Concílio seria um dia ensolarado para a Igreja. Porém, encontramos novas tempestades. Nós procuramos cavar novos abismos ao invés de aplaná-los. Que aconteceu? Nós vos confiaremos nosso pensamento: foi um poder contrário, do diabo, este ser misterioso, inimigo de todos os homens, qualquer coisa de sobrenatural, que veio apodrecer e secar os frutos do Concílio Ecumênico e impedir que a Igreja brilhe em hinos de alegria por ter descoberto sua própria consciência” (Discurso em 29 de Junho de 1972. Negrito meu).
O Papa João Paulo II também constatou essa crise trazida pelas novas tempestades modernistas:
"É necessário admitir com realismo e sensibilidade, dolorosa e profunda, que hoje uma grande maioria dos cristãos, sente-se desnorteada, confusa, perplexa, e desiludida. A mãos cheias estão sendo espalhadas idéias contrárias as verdades reveladas, e ensinadas desde sempre. Estão sendo espalhadas heresias verdadeiras contra o credo e a moral, provocando confusão e revoltas. Vai se solapando a liturgia, afundando num relativismo, intelectual e moral; na permissividade; caindo na tentação do ateísmo, agnosticismo, do iluminismo, de uma moral indeterminada, de um cristianismo sociológico, sem dogmas definidos e moral objetiva”.
E quais seriam os frutos desse suposto “novo ardor”? Missas profanadas? Esvaziamento de seminários e conventos? Aumento de casos de homossexualismo e pederastia no clero? Apostasia em massa?
Não seja cego, Renan. Não negue o que os próprios Pontífices constataram, isto é, a triste realidade produzida pelos frutos estragados do Concílio Vaticano II. Não confunda ardor com o mau odor da fumaça do Diabo.
Para justificar os delírios do rock, você me apresenta o que seria um dos quiméricos bons frutos dessa distorção sonora:
“Quantos que depois de um show passaram a entender o real sentido da missa,passaram a amar a eucaristia e acima de tudo viver uma vida professando que ’JESUS É O SENHOR!!’”.
Seu doce sonho de um bom rock não passa de pesadelo na realidade. É impossível catequizar com um ritmo que é contra os princípios da religião. Pensar que shows de rock podem propiciar uma compreensão do que é a Santa Missa é um absurdo. Um som que assume em grandes platéias características de anti-culto, não pode levar a compreensão do culto cristão.
Tamanha é a incompreensão desses roqueiros, que eles fazem show enquanto Cristo morre no Calvário. Isso é uma deturpação e não compreensão do real sentido da Missa.
Se esses jovens roqueiros soubessem, de fato, o que é a Santa Missa, eles já teriam quebrado suas guitarras há muito tempo. Teriam sacrificado a paixão do rock e tomado a cruz de Nosso Senhor.
Por que os roqueiros não seguem esse preceito de Deus? Por que não renunciam a si mesmos e ao rock, tomam a Cruz e seguem Nosso Senhor que, por amor de nós, sacrificou a própria vida? Preferem tomar suas guitarras, renunciar a Cristo, e profanar os preceitos da religião.
E nisso não tem nada de proclamar que Jesus é o Senhor. Quando reconhecemos Deus como Nosso Senhor, procuramos viver conforme as Leis desse Senhor. Por isso nos preveniu Cristo que “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mateus VII, 21).
Eu disse que sua carta deixa patente sua ignorância em matéria de música. A prova segue de sua seguinte afirmação: “porque nada se compara o romantismo ao Rock,comparações que você fez e que não tem o menor sentido um genero literário com um genero musical!!!”
Dizer que não há qualquer relação entre rock e romantismo ou que um gênero literário não pode ser expresso em forma de música, é desconhecer o real sentido de arte.
Toda arte normalmente se manifesta no espaço (arquitetura, pintura e escultura) e no tempo (teatro, literatura, dança e música). O romantismo, arte da Revolução Francesa, portanto contrária à razão, dominou não só a literatura, mas pinturas, esculturas, danças, teatros e músicas. Como a arte é uma filosofia posta em símbolos, naturalmente as idéias fomentadas por ela não se restringem a uma única forma de expressão artística. Por isso o Romantismo foi além da literatura. Com sua doutrina irracional impregnou livros, a arquitetura, a política, a filosofia, a economia, a psicologia, invadindo até mesmo a religião.
Para embasar o que digo, transcrevo um trecho de uma obra que mostra os limites atingidos pelos devaneios do Romantismo:
"Para definir o Romantismo, diz Gonzague de Reynold, há noções que nunca se devem perder de vista. A primeira é que o Romantismo é um movimento muito mais vasto que uma simples revolução literária. Ele engloba as escolas românticas, mas as ultrapassa amplamente. Estende-se muito além, em todos os domínios. Não há, pois, somente um romantismo poético, literário, há um romantismo político, social, religioso. Encontra-se o Romantismo até nas ciências e até na vida econômica. Encontra-se na Metafísica assim como na Psicologia. O Romantismo vai da arte à história. A tudo envolve, a tudo impregna, como uma atmosfera." (apud Sílvio Elia – O Romantismo, org. J.GUINSBURG, p.114. O negrito é meu).
Veja que esse embasamento teórico vai diretamente contra sua distinção que restringe o Romantismo somente como movimento literário.
Ora, o Romantismo foi uma doutrina subjetivista que buscou libertar o homem das leis e da Verdade objetiva. Daí os românticos buscarem especialmente na música a aplicação de seus princípios, pois como arte mais subjetiva, a música é a arte mais romantizável.
Para enaltecer sua ignorância em matéria artística, transcrevo outro trecho da mesma obra que de modo mais explícito, contraria suas considerações:
“Essa descida ao reino nebuloso dos afetos e dos impulsos, das intuições e das fantasias, foi acompanhada de um labor analítico sem precedentes. As mais sutis inflexões emocionais, a complexidade dos "contrapontos" sentimentais, as criações aparentemente sem sentido da fantasia, as tensões por vezes violentas entre sentimentos opostos, tudo isto passou a encontrar a sua expressão na música romântica" (KIEFER, Bruno. O Romantismo na Música. O Romantismo, org. J.Guinsburg, p.215. O negrito é meu).
Disso se conclui que o gênero musical romântico tem tudo a ver com o gênero literário romântico. Pois ambos possuem a mesma doutrina do romantismo.
Sem querer ser prolixo no assunto, mas reforçando os embasamentos de minhas afirmações, transcrevo uma última citação de outra obra, que, além de ratificar o trecho da obra anterior, no que tange ao Romantismo musical, mostra claramente quais as relações entre romantismo e o ritmo rock:
“O Romantismo foi caótico por princípio, pela própria condição de sua rebeldia contra as regras e formulações da razão. Não se explicou; foi intensamente sentido. O método de que se valeu foi o da livre intuição artística. Como caminho ideal para atingir seu sonho e anseio de poesia, de vida pura, buscou o Romantismo o caminho da música, a arte que lhe pareceu a mais irracional, inconsciente e instintiva” (Lima, J. C Cavalheiro. Música e Romantismo. Porto Alegre: Livraria Sulina, 1972, p. 44. Os destaques são meus).
Que o Romantismo foi também musical está devidamente provado. Aliás, sendo músico roqueiro, você nunca ouviu o termo música romântica, tão comum em nossos dias? Realmente, sua ignorância artística e musical é notável.
Sobre as relações entre rock e romantismo, basta averiguar seus princípios comparando com os fundamentos do rock.
O Romantismo, quer literário quer musical, foi contra a razão, contra as leis da estética, contra a verdade objetiva. Visou somente o deleite nos sentimentos levando os homens do mero agradável ao puro sensualismo e as paixões mais baixas.
O rock seguiu exatamente esse mesmo caminho, passando do sentimentalismo ao sexualismo, até chegar ao satanismo.
Em suma, pode-se dizer que, do mesmo modo que o romantismo, o rock é contra a razão, contra as leis da estética, contra a ordem, contra a verdade, levando seus ouvintes do sentimentalismo ao sensualismo e, em alguns casos, ao mais explícito satanismo.
Se você quiser mais embasamentos teóricos, além dos que já apresentei, sugiro o artigo intitulado “Rock: revolução e satanismo”, disponível no site Montfort.
Que Deus lhe dê a graça de uma verdadeira conversão.
In Jesu et Maria, semper
Eder Silva
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