Catequista diz que "evangeliza" com rock PDF Imprimir E-mail
Cartas - Outros

Remetente: Maurilio Vieira
Data: 20/12/2007
Cidade: Goiânia / GO
Religião: Católica
Escolaridade: Superior completo
Profissão: Engenheiro eletricista

Eder Silva,

[...] cara! Pegou pesado. O artigo “Rock Cristão: um som, nada cristão” foi muito forte. Vamos lá.
"Esses sentimentais deveriam aprender que fé é uma virtude intelectual e não sentimental."
Sim a fé é uma virtude intelectual, nunca duvidei disso, mas a conversão não é sempre intelectual. O próprio Santo Agostinho com todo o seu intelecto demorou muito até amar a beleza infinita, tão antiga e tão nova. Ele necessitou de um profundo encontro com o Senhor. E você sabe disso, se é que  leu as Confissões do querido Santo Agostinho.
Entendo que muitos músicos católicos de maneira errada, abusam nas músicas e isso eu combato severamente. Agente vai na Igreja e é maozinha pra cá e maozinha pra lá. Tem muita coisa errada mesmo. Muitas músicas nem falam de Deus, que promentem uma vida sem dor e sem sofrimento, tipo um céu aqui na terra. Sou radicalmente contra.
Agora amigo, eu sou músico católico, católico desde criança, catequista e toco rock. Já li Santo Agostinho, Santa Terezinha, Padre Pio, Santa Tereza D\'Ávila, São Francisco e etc. Sei o que é Caridade, Verdade, o Verbo, e sei também   que Cristo pregou o união e não a exclusão, muito diferente do que você fez. As músicas que escrevo são carregadas de frases de santos e da bíblia. Odeio generalizações.
Luto para a evangelização. Transmito a fé nas letras de minhas músicas. Gostaria de conversar contigo.
Responda-me.
Obrigado!!!


RESPOSTA

Prezado Maurilio,
Salve Maria!
 
Lamento tê-lo feito esperar tanto. Como nosso tempo é limitado e recebemos diversas cartas, precisei deixar os roqueiros que me escreveram na lista de espera.
 
Vejo que você leu meu sucinto artigo sobre o famigerado rock cristão, que de cristão, não tem nada. Leu e não gostou de minhas críticas a essa cacofonia diabólica.  
 
Catequista roqueiro, você me garante que a conversão nem sempre é intelectual. Mas de que catecismo desconhecido você tirou isso, caro Maurilio? Essa catequese não é católica.  
 
Toda conversão verdadeira exige adesão intelectual. Quem se converte, além de aceitar intelectualmente as verdades da Fé, faz uma mudança total de vida, sacrificando os ídolos para adorar somente a Deus.     
 
Entretanto, na sua concepção roqueira de conversão, alguém poderia se considerar convertido, mesmo não aceitando com sua inteligência as verdades que Deus revelou e que a Igreja ensina.
 
Ensinando erro tão grave, você prova que necessita urgentemente de uma verdadeira conversão. E para se converter, é preciso, primeiramente, abraçar toda a fé, renunciando aos erros que se opõem a ela. Comece, então, por renunciar essa fé sentimental que você contraditoriamente defende. Depois, por amor a Deus, que é Nosso Único Senhor, sacrifique todos os seus ídolos, começando pelo rock nefasto.
 
Fazendo isso você dará bom exemplo de conversão aos seus alunos, e quem sabe, ajude outros roqueiros a abandonar o rock que é anti-cristão.
 
Em meu artigo, que você sem dúvida detestou, argumentei contra o rock “cristão”, citando o juramento Contra o Modernismo, do Papa São Pio X. Não obstante, você simplesmente o ignorou, como se a condenação de um Papa não tivesse o mínimo valor.    
 
Deste modo você demonstra claramente o que vale o ensino de um papa em sua vida de roqueiro. Prefere ouvir os guinchos do rock ao Vigário de Cristo na Terra.
 
Essa é a catequese que você ensina aos seus alunos?
 
Por isso se vê que de nada adiantaria citar ensinamentos de Papas e Doutores da Igreja se eles nada valem diante de seu ídolo moderno.
 
Você me diz que sabe o que é caridade. Será?
 
A caridade manda amar a Deus sobre todas as coisas, inclusive sobre nossos ídolos. Mas você tem um ídolo, caro Maurilio. E não quer sacrificá-lo por amor a Deus. Logo, não sabe o que é caridade. O que você sabe e não abre mão, mesmo que a Igreja condene, é propagar o rock.  
 
E nem adianta me dizer que seu rock prega o amor a Deus.
 
Um frasco de veneno continuará contendo veneno, mesmo que nele se coloque um rótulo cristão. Quem o beber, certamente morrerá, porque o novo rótulo, embora cristão, não anulará o teor mortífero contido no frasco.
 
Seu erro, assim como o de todo roqueiro, é pensar que o mal do rock está apenas nas letras, ignorando os efeitos da melodia e do ritmo.
 
Não adianta colocar letra boa em ritmo perverso. É como misturar água limpa com água suja.  
 
Para dar-lhe um exemplo concreto de que o mal do rock não está apenas na letra, cito uma experiência científica realizada com três grupos de ratos que comprovou os efeitos maléficos do rock.
 
“Um grupo não escutou nenhuma música, outro a Mozart, e um terceiro música rock. Mas primeiro eles fizeram os ratos correr por um labirinto para estabelecer um tempo base de 10 minutos. Então separaram os ratos em seus grupos distintos. Depois de um mês, os ratos que absolutamente não ouviram música nenhuma  reduziram o tempo a ser corrido naquele labirinto pela metade do tempo (5 minutos). Os ratos que escutaram Mozart fizeram ainda melhor. Estes correram pelo labirinto em só 1 minuto e meio. Os ratos que ouviram a música rock  “se batiam pelo labirinto” levando então 30 minutos. Finalmente, a experiência parou devido aos ratos que ouviram a música rock ter vindo a comer uns aos outros. Para determinar por que os ratos que ouviram a música rock tinham tantos problemas, os investigadores examinaram os cérebros. Suficientemente certos, estes encontraram ramificar e brotar anormais células nervosas e interrupções nas quantidades  normais do ARN mensageiro, uma química crucial para o armazenamento da memória. Isto poderia ajudar a explicar o porque ouvintes da música rock estão mais propensos a utilizar as drogas e cair no adultério, e porque ouvintes da música heavy metal são muitos mais a considerar o suicido”.
Fonte: http://www.mmegi.bw/index.php?sid=7&aid=44&dir=2008/July/Tuesday15

Se o mal do rock se limitasse apenas à sua letra, os ratos não seriam afetados.

Até mesmo médicos e cientistas que estudaram o rock, constataram que seus efeitos assemelham-se aos provocados pelas drogas. Portanto, não há conciliação possível entre catolicismo e o rock. Assim como não é possível fazer um satanismo cristão, não é possível fazer um rock católico.

Se você quer realmente catequizar, jogue o rock no lixo, pois é isso o que ele é.

Se você quer realmente se converter, sacrifique esse ídolo sonoro.

Ninguém pode servir a dois senhores. Ninguém pode ser um roqueiro cristão.

Despeço-me rezando por sua conversão.

In Jesu et Maria, semper
Eder Silva

 
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Nota

"SOBRE OS DIREITOS E DEVERES DOS LEIGOS CATÓLICOS"
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